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13/11/2012-19h00
Intervenção no BVA derruba secretário da Fazenda de Indaiatuba
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LUCAS SAMPAIO
DE SÃO PAULO
DE SÃO PAULO
Atualizado às 19h24.
A intervenção do BC (Banco Central) no BVA teve seu primeiro desdobramento: a exoneração do secretário da Fazenda de Indaiatuba (a 98 km de São Paulo), Marcelo Pigatto, por ter investido mais de R$ 46,6 milhões da prefeitura em títulos do banco.Prefeitura de Indaiatuba tem aplicação bloqueada em banco que pode ser liquidado
Banco BVA sofre intervenção do BC por não conseguir levantar capital
Marcia Dessen: O banco quebrou; e agora, como recuperar o meu dinheiro?
A verba corresponde a 8% do orçamento anual da cidade e está indisponível desde 19 de outubro, quando o BC decretou a intervenção no banco.
Segundo a prefeitura, a secretaria municipal da Fazenda aplicou R$ 46,6 milhões no BVA entre 2010 e 2012 e, somados, os rendimentos no período atingem R$ 53,3 milhões.
Após investigação da corregedoria do município, o secretário foi demitido por "quebra de confiança" pelo prefeito em exercício, Antonio Carlos Pinheiro (PTB), por não ter comunicado os investimentos e os riscos decorrentes das aplicações realizadas --"incluindo as feitas no BVA".
Além do banco, a prefeitura tem aplicações no Santander e no Banco PanAmericano --que também sofreu intervenção do BC, mas foi vendido para o BTG Pactual.
A aplicação foi feita contra a recomendação do TCE (Tribunal de Contas do Estado). Três dias antes da intervenção do Banco Central no BVA, o procurador João Paulo Giordano Fontes, do TCE de São Paulo, recomendou que a prefeitura mudasse as aplicações no BVA e no PanAmericano para bancos públicos, como prevê a legislação.
O secretário de Governo, Odair Gonçalves, diz que a demissão foi assinada pelo prefeito em exercício porque o titular, Reinaldo Nogueira (PMDB), está em férias. Gonçalves diz, no entanto, que Nogueira foi avisado da decisão.
Formado em administração de empresas, Pigatto era secretário da Fazenda desde 2007 e estava prefeitura desde 1997. Antes de assumir a pasta, foi secretário-adjunto da Fazenda e secretário da Administração.
INTERVENÇÃO
O banco BVA teve intervenção decretada pelo BC porque enfrentava dificuldades em levantar capital para manter os empréstimos e as provisões necessárias e para honrar os CDBs comprados pelos investidores --na maioria fundos de investimento e de pensão. Foi a quinta ação do tipo pela autoridade monetária brasileira nos últimos dois anos.
No final de junho, o BVA estava com índice de Basileia, indicador de solvência, em 9,5% --no Brasil, o mínimo é de 11%. O mercado estima que o banco precisaria de uma injeção de R$ 800 milhões, no mínimo, para continuar operando.
Apesar de ter sete agências no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e em São Paulo, o banco não tem correntistas nem trabalha com pessoas físicas --como o Cruzeiro do Sul e o PanAmericano, por exemplo.
Por esse motivo, o Banco Central não cogitou decretar regime de intervenção temporária, como no Cruzeiro do Sul nem chamar o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para fazer esse trabalho. O BVA detém 0,17% dos ativos do sistema financeiro e 0,24% dos depósitos.
Diferentemente do regime especial do Cruzeiro do Sul, a intervenção do BVA não tem uma data específica para terminar. Após a intervenção, o banco pode voltar à operação ou ser liquidado. O BC nomeou o servidor Eduardo Félix Bianchini como interventor do BVA. Ele tem 60 dias de prazo para apresentar um relatório sobre a situação contábil do banco.
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